Manutenção Preventiva de Equipamentos EX: como preservar a certificação e garantir a segurança operacional
- 13 de jul.
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Imagem ilustrativa
Adquirir e instalar equipamentos certificados EX é apenas o primeiro passo para garantir a segurança em áreas classificadas. A manutenção preventiva desses equipamentos é igualmente crítica — e frequentemente negligenciada — porque um equipamento EX mal mantido pode perder sua certificação de proteção sem que isso seja visualmente perceptível, criando um risco oculto de ignição em atmosferas explosivas.
Este artigo aborda os principais requisitos técnicos e normativos para a manutenção de equipamentos EX, com foco na preservação da integridade dos modos de proteção ao longo do ciclo de vida da instalação.
Por que a manutenção de equipamentos EX é diferente
Equipamentos convencionais podem ser reparados, adaptados ou modificados com relativa flexibilidade, desde que mantenham sua função elétrica básica. Equipamentos EX não seguem essa lógica: qualquer intervenção que altere as características construtivas originais do equipamento pode invalidar sua certificação, mesmo que a intervenção pareça inofensiva do ponto de vista elétrico.
Isso ocorre porque a certificação EX não avalia apenas a função do equipamento, mas a integridade física do invólucro, as folgas entre partes metálicas (nos equipamentos Ex d), a vedação, os materiais utilizados e as distâncias de isolamento. Um parafuso trocado por um modelo não original, uma junta de vedação substituída por material não certificado, ou uma pintura aplicada sobre uma superfície de contato podem, isoladamente, comprometer o modo de proteção.
A norma de referência: ABNT NBR IEC 60079-17
No Brasil, a manutenção de instalações elétricas em áreas classificadas é regida pela ABNT NBR IEC 60079-17 — Inspeção e manutenção de instalações elétricas em atmosferas explosivas. Essa norma estabelece:
Os tipos de inspeção exigidos (detalhada, de rotina e visual)
A periodicidade mínima recomendada para cada tipo de inspeção
Os critérios de aceitação e rejeição para cada componente do equipamento
As qualificações exigidas para os profissionais responsáveis pela inspeção
Tipos de inspeção conforme a NBR IEC 60079-17
Inspeção Visual
Verificação sem uso de ferramentas ou acesso ao interior do equipamento — identifica danos externos visíveis, corrosão, acúmulo de poeira ou sujeira excessiva, sinalização de segurança ausente ou danificada.
Inspeção de Rotina
Inclui os itens da inspeção visual, acrescidos de verificações que exigem o uso de ferramentas simples (sem abertura do invólucro), como aperto de parafusos externos e verificação de conexões de aterramento.
Inspeção Detalhada
Inclui os itens anteriores, além de verificações que exigem a abertura do invólucro do equipamento, permitindo a inspeção de componentes internos, medição de folgas em junções à prova de explosão (Ex d), verificação do estado de isolamento e integridade de conexões elétricas internas.
Periodicidade recomendada
A norma não define prazos fixos obrigatórios, mas orienta que a periodicidade seja definida com base em fatores como severidade do ambiente, criticidade da instalação e histórico de falhas. Como referência prática de mercado:
Inspeção visual: mensal a trimestral, dependendo da criticidade
Inspeção de rotina: semestral a anual
Inspeção detalhada: anual a trienal, conforme risco e classificação da área
Ambientes com Zona 0 ou 1, alta umidade, corrosão salina (plataformas offshore) ou vibração intensa exigem periodicidade mais rigorosa que ambientes de Zona 2.
Principais causas de perda de certificação em campo
Levantamentos de auditorias técnicas apontam recorrentemente as mesmas falhas em equipamentos EX que perderam sua proteção original:
Substituição de componentes por peças não originais ou não certificadas — parafusos, juntas, prensa-cabos
Pintura ou revestimento aplicado sobre superfícies de vedação (flanges de Ex d), alterando as folgas certificadas
Vedações e prensa-cabos danificados ou mal instalados, comprometendo o grau de proteção IP
Corrosão não tratada em invólucros metálicos, reduzindo a espessura de paredes críticas para contenção de explosão
Intervenções elétricas realizadas por profissionais sem qualificação específica em áreas classificadas (violando também a NR-10)
Qualificação dos profissionais responsáveis
A NR-10, em sua revisão vigente em 2026, reforça a exigência de que profissionais que atuam em manutenção de instalações elétricas em áreas classificadas possuam treinamento específico e certificado, com carga horária mínima definida e reciclagem periódica. A execução de inspeções e manutenções por profissionais não qualificados é uma não conformidade normativa grave, além de risco real à segurança da instalação.
Documentação e rastreabilidade
Todo o histórico de inspeções deve ser documentado e mantido disponível para auditorias — incluindo data, tipo de inspeção realizada, componentes verificados, não conformidades identificadas, ações corretivas tomadas e qualificação do profissional responsável. Essa documentação é frequentemente solicitada em auditorias de órgãos reguladores e em processos de certificação ISO de gestão de segurança.
Conclusão técnica
A manutenção preventiva de equipamentos EX não é um custo adicional — é a garantia de que o investimento em equipamentos certificados continue protegendo a operação ao longo de todo o seu ciclo de vida. Negligenciar esse processo pode transformar um equipamento originalmente seguro em uma fonte de ignição não identificada.
A Renetec oferece não apenas equipamentos certificados EX e TGVP, mas também suporte técnico para orientar clientes sobre boas práticas de manutenção e preservação da certificação de seus produtos em campo.




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