EX vs. TGVP: diferenças técnicas e como definir a proteção adequada para cada projeto
- 25 de mai.
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Entre os profissionais que atuam com instalações industriais em ambientes de risco, é comum a dúvida sobre as diferenças entre os equipamentos classificados como EX (à prova de explosão) e os equipamentos TGVP (à prova de intempéries, à prova de gás ou à prova de vandalismo, dependendo do contexto). Embora ambos sejam projetados para ambientes hostis, seus escopos de proteção, normas aplicáveis e campos de aplicação são distintos — e confundir os dois conceitos pode resultar em especificações incorretas, não conformidades normativas e riscos graves à segurança.
Este artigo esclarece as diferenças fundamentais entre as duas categorias e orienta a seleção correta para cada tipo de projeto.
O que são equipamentos EX?
A sigla EX designa equipamentos projetados para uso em atmosferas potencialmente explosivas — ambientes onde a presença de gases, vapores, névoas ou poeiras inflamáveis cria risco de explosão. A proteção EX não significa que o equipamento é inquebrável ou à prova de impacto físico: significa que ele foi construído de forma a não se tornar uma fonte de ignição dentro de uma atmosfera explosiva.
Os equipamentos EX são certificados conforme a série de normas ABNT NBR IEC 60079, que define os modos de proteção aceitos para cada zona de classificação. Os principais modos incluem:
Ex d (encapsulamento à prova de explosão): o invólucro suporta e contém uma eventual explosão interna, impedindo que ela se propague para a atmosfera externa
Ex e (segurança aumentada): medidas adicionais que eliminam a possibilidade de faíscas ou superfícies quentes em condições normais de operação
Ex n (não faiscante): para Zona 2, equipamentos que não produzem faíscas em operação normal
Ex i (segurança intrínseca): limitação da energia elétrica a níveis abaixo do necessário para ignição
No Brasil, a certificação é concedida pelo Inmetro por meio de organismos acreditados, e a marcação do equipamento deve indicar explicitamente o modo de proteção, grupo de gás e classe de temperatura.
O que são equipamentos TGVP?
A sigla TGVP é utilizada no mercado brasileiro para designar equipamentos com invólucros de alta robustez mecânica, projetados para resistir a condições adversas como impactos físicos, vandalismo, intempéries severas e ambientes industriais agressivos — mas sem necessariamente atender aos requisitos de proteção contra explosão.
Os equipamentos TGVP são geralmente fabricados em materiais como policarbonato de alta resistência, aço inoxidável ou ligas especiais, com graus de proteção IP (Ingress Protection) elevados — tipicamente IP65, IP66 ou IP67 — garantindo vedação contra poeira e água. São amplamente utilizados em:
Instalações externas expostas a chuva, umidade e radiação solar intensa
Ambientes com risco de impacto mecânico ou vandalismo
Indústrias como mineração, siderurgia, celulose e papel, onde as condições ambientais são agressivas, mas não necessariamente há atmosfera explosiva
A diferença fundamental
Critério | EX | TGVP |
Risco principal controlado | Ignição de atmosfera explosiva | Impacto físico, intempéries, vandalismo |
Norma de referência | ABNT NBR IEC 60079 (série) | NBR IEC 60529 (IP), ABNT NBR 5123 |
Certificação obrigatória | Sim — Inmetro/OCP acreditado | IP certificado; não exige cert. EX |
Aplicação típica | Zonas 0, 1 e 2 (gases/vapores) | Ambientes agressivos sem risco de explosão |
Pode substituir EX? | — | Não |
A distinção mais crítica está na última linha: um equipamento TGVP, por mais robusto que seja mecanicamente, não substitui um equipamento EX em uma área classificada. A proteção contra impacto físico não implica proteção contra ignição de atmosferas explosivas. Instalar um equipamento TGVP em uma Zona 1, por exemplo, é uma não conformidade grave com as normas ABNT NBR IEC 60079 e com a legislação trabalhista brasileira (NR-10 e NR-20).
Quando usar EX, quando usar TGVP, e quando usar ambos
Em muitos projetos industriais reais, as duas categorias coexistem — e há equipamentos que combinam os dois conjuntos de requisitos:
Use EX quando:
O ambiente estiver classificado como Zona 0, 1 ou 2 (gases/vapores) ou Zona 20, 21 ou 22 (poeiras)
Houver qualquer possibilidade de formação de atmosfera explosiva, mesmo que intermitente
O estudo de classificação de área indicar a necessidade de equipamentos certificados
Use TGVP quando:
O ambiente não estiver classificado como área explosiva, mas for sujeito a condições climáticas severas, impacto mecânico ou risco de vandalismo
Instalações externas em subestações, plantas industriais abertas, iluminação viária industrial ou áreas de mineração sem gases inflamáveis
Use EX + TGVP quando:
O ambiente exige simultaneamente proteção contra explosão e alta robustez mecânica — situação comum em plataformas offshore, refinarias e plantas petroquímicas expostas ao ambiente marinho
A Renetec oferece equipamentos que atendem a ambos os conjuntos de requisitos de forma integrada, garantindo que o produto especificado seja simultaneamente seguro para a zona classificada e adequado às condições ambientais do projeto.
Implicações para a especificação técnica
A correta distinção entre EX e TGVP impacta diretamente o processo de especificação técnica de projetos elétricos. Engenheiros e compradores industriais devem, antes de qualquer aquisição:
Consultar o estudo de classificação de área do local de instalação
Identificar a zona (0, 1 ou 2 para gases; 20, 21 ou 22 para poeiras)
Verificar o modo de proteção EX requerido para aquela zona
Confirmar as condições ambientais adicionais (IP necessário, temperatura ambiente, resistência a impactos)
Exigir a documentação de certificação do equipamento (certificado Inmetro, declaração de conformidade)
Suporte técnico especializado
A seleção inadequada de equipamentos em áreas classificadas é uma das principais causas de não conformidades identificadas em auditorias e inspeções — e pode resultar em interdições, multas e, no pior cenário, acidentes com vítimas fatais.
A Renetec atua com foco exclusivo em equipamentos EX e TGVP para ambientes industriais classificados, oferecendo não apenas produtos certificados, mas suporte técnico para a correta especificação conforme as normas brasileiras e internacionais aplicáveis ao seu projeto.




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