Como escolher o equipamento EX certo para cada zona classificada
- há 6 dias
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A escolha de um equipamento EX não deve começar pelo produto em si, mas pela zona classificada onde ele será instalado. Em áreas com presença de gases, vapores ou poeiras combustíveis, a seleção correta depende diretamente do estudo de classificação de área, das condições ambientais e do modo de proteção exigido por norma. Um erro nessa etapa pode comprometer a segurança da instalação, gerar não conformidade e expor pessoas e ativos a riscos graves.
Para compradores industriais, gestores de manutenção e engenheiros de projeto, entender essa relação entre zona classificada e equipamento certificado é essencial para especificar com precisão e evitar retrabalhos, custos adicionais e falhas de segurança.
O ponto de partida: a classificação da área
Antes de escolher qualquer equipamento EX, é indispensável saber em que tipo de ambiente ele será aplicado. Em atmosferas com gases e vapores inflamáveis, as zonas são classificadas em Zona 0, Zona 1 e Zona 2. Já em áreas com poeiras combustíveis, a classificação segue Zona 20, Zona 21 e Zona 22.
Essa definição orienta o nível de proteção necessário para cada equipamento. Quanto mais frequente e duradoura for a presença da atmosfera explosiva, mais rigoroso deve ser o modo de proteção adotado.
O que cada zona exige na prática
A lógica da especificação técnica é simples: o equipamento deve ser certificado para uma condição igual ou mais restritiva que a da zona onde será instalado.
Zona 0
É a condição mais crítica, onde a atmosfera explosiva está presente continuamente ou por longos períodos. Nessa aplicação, os equipamentos precisam oferecer o mais alto nível de proteção possível, com certificações e modos de proteção compatíveis com esse cenário.
Zona 1
Aqui, a atmosfera explosiva pode ocorrer em condições normais de operação. É uma zona muito comum em plantas industriais, refinarias, áreas de envase, tanques e regiões próximas a pontos de liberação de gás ou vapor. O equipamento EX deve ser adequado a esse nível de risco e possuir certificação correspondente.
Zona 2
A atmosfera explosiva não ocorre normalmente, mas pode aparecer de forma esporádica e por curtos períodos. Embora o risco seja menor do que nas zonas anteriores, isso não significa que qualquer equipamento possa ser usado. A certificação continua sendo obrigatória.
Como interpretar a marcação Ex
Um dos principais erros na especificação é olhar apenas para a aparência do produto e ignorar a marcação Ex. Essa identificação traz informações técnicas fundamentais sobre o equipamento.
Uma marcação típica pode indicar:
o modo de proteção,
o grupo de gás,
a classe de temperatura,
e a categoria de uso.
Na prática, isso significa que o comprador precisa verificar se o equipamento é compatível com a substância presente no ambiente, com a temperatura de ignição do gás ou poeira e com a zona onde será instalado.
Sem essa conferência, o risco de especificar um produto inadequado é alto, mesmo quando o equipamento parece robusto e bem acabado.
O erro de escolher pelo ambiente externo apenas
Outro equívoco comum é considerar apenas fatores como chuva, poeira, calor ou impacto mecânico. Esses elementos são importantes, mas não substituem a exigência principal: a proteção contra ignição.
Um equipamento pode ter excelente grau de proteção IP, ser resistente à corrosão e suportar condições severas de campo, mas ainda assim não ser EX. Se houver atmosfera explosiva, a robustez mecânica sozinha não resolve o problema.
Por isso, em muitos projetos, o correto é avaliar dois aspectos ao mesmo tempo:
a proteção EX, ligada ao risco de explosão;
e as características ambientais, como IP, temperatura de operação e resistência mecânica.
Como comparar produtos na fase de compra
Na etapa de cotação e compra, vale adotar uma checklist técnica básica para evitar erros:
Confirmar a zona classificada do local.
Verificar o tipo de atmosfera presente: gás, vapor ou poeira.
Conferir a marcação Ex do equipamento.
Validar a classe de temperatura.
Checar a compatibilidade com a substância perigosa.
Confirmar o grau de proteção IP.
Avaliar resistência mecânica, corrosão e temperatura ambiente.
Exigir documentação de certificação válida.
Esse processo reduz o risco de aquisição inadequada e melhora a confiabilidade da instalação.
A importância do suporte técnico
Em muitos casos, a ficha técnica do produto não é suficiente para orientar a escolha. Projetos em áreas classificadas frequentemente exigem interpretação técnica da aplicação, especialmente quando há variações de temperatura, exposição ambiental severa ou mistura de exigências entre EX e robustez mecânica.
Nessas situações, o suporte técnico do fabricante ou fornecedor é decisivo. Ele ajuda a evitar superespecificação, subespecificação e escolhas que, no papel, parecem corretas, mas não atendem à realidade do campo.
Conclusão
Escolher o equipamento EX certo não é apenas selecionar um produto certificado. É alinhar o equipamento à zona classificada, à substância presente, à temperatura de ignição e às condições reais da instalação. Essa leitura técnica é o que garante segurança, conformidade normativa e desempenho operacional.
Para empresas que atuam com áreas classificadas, a especificação correta deve ser tratada como uma etapa crítica do projeto — tão importante quanto a instalação e a manutenção.




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