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Como escolher o equipamento EX certo para cada zona classificada

  • há 6 dias
  • 4 min de leitura

A escolha de um equipamento EX não deve começar pelo produto em si, mas pela zona classificada onde ele será instalado. Em áreas com presença de gases, vapores ou poeiras combustíveis, a seleção correta depende diretamente do estudo de classificação de área, das condições ambientais e do modo de proteção exigido por norma. Um erro nessa etapa pode comprometer a segurança da instalação, gerar não conformidade e expor pessoas e ativos a riscos graves.


Para compradores industriais, gestores de manutenção e engenheiros de projeto, entender essa relação entre zona classificada e equipamento certificado é essencial para especificar com precisão e evitar retrabalhos, custos adicionais e falhas de segurança.


O ponto de partida: a classificação da área

Antes de escolher qualquer equipamento EX, é indispensável saber em que tipo de ambiente ele será aplicado. Em atmosferas com gases e vapores inflamáveis, as zonas são classificadas em Zona 0, Zona 1 e Zona 2. Já em áreas com poeiras combustíveis, a classificação segue Zona 20, Zona 21 e Zona 22.


Essa definição orienta o nível de proteção necessário para cada equipamento. Quanto mais frequente e duradoura for a presença da atmosfera explosiva, mais rigoroso deve ser o modo de proteção adotado.


O que cada zona exige na prática

A lógica da especificação técnica é simples: o equipamento deve ser certificado para uma condição igual ou mais restritiva que a da zona onde será instalado.


Zona 0

É a condição mais crítica, onde a atmosfera explosiva está presente continuamente ou por longos períodos. Nessa aplicação, os equipamentos precisam oferecer o mais alto nível de proteção possível, com certificações e modos de proteção compatíveis com esse cenário.


Zona 1

Aqui, a atmosfera explosiva pode ocorrer em condições normais de operação. É uma zona muito comum em plantas industriais, refinarias, áreas de envase, tanques e regiões próximas a pontos de liberação de gás ou vapor. O equipamento EX deve ser adequado a esse nível de risco e possuir certificação correspondente.


Zona 2

A atmosfera explosiva não ocorre normalmente, mas pode aparecer de forma esporádica e por curtos períodos. Embora o risco seja menor do que nas zonas anteriores, isso não significa que qualquer equipamento possa ser usado. A certificação continua sendo obrigatória.


Como interpretar a marcação Ex

Um dos principais erros na especificação é olhar apenas para a aparência do produto e ignorar a marcação Ex. Essa identificação traz informações técnicas fundamentais sobre o equipamento.


Uma marcação típica pode indicar:

  • o modo de proteção,

  • o grupo de gás,

  • a classe de temperatura,

  • e a categoria de uso.


Na prática, isso significa que o comprador precisa verificar se o equipamento é compatível com a substância presente no ambiente, com a temperatura de ignição do gás ou poeira e com a zona onde será instalado.


Sem essa conferência, o risco de especificar um produto inadequado é alto, mesmo quando o equipamento parece robusto e bem acabado.


O erro de escolher pelo ambiente externo apenas

Outro equívoco comum é considerar apenas fatores como chuva, poeira, calor ou impacto mecânico. Esses elementos são importantes, mas não substituem a exigência principal: a proteção contra ignição.


Um equipamento pode ter excelente grau de proteção IP, ser resistente à corrosão e suportar condições severas de campo, mas ainda assim não ser EX. Se houver atmosfera explosiva, a robustez mecânica sozinha não resolve o problema.

Por isso, em muitos projetos, o correto é avaliar dois aspectos ao mesmo tempo:

  • a proteção EX, ligada ao risco de explosão;

  • e as características ambientais, como IP, temperatura de operação e resistência mecânica.


Como comparar produtos na fase de compra

Na etapa de cotação e compra, vale adotar uma checklist técnica básica para evitar erros:

  1. Confirmar a zona classificada do local.

  2. Verificar o tipo de atmosfera presente: gás, vapor ou poeira.

  3. Conferir a marcação Ex do equipamento.

  4. Validar a classe de temperatura.

  5. Checar a compatibilidade com a substância perigosa.

  6. Confirmar o grau de proteção IP.

  7. Avaliar resistência mecânica, corrosão e temperatura ambiente.

  8. Exigir documentação de certificação válida.


Esse processo reduz o risco de aquisição inadequada e melhora a confiabilidade da instalação.


A importância do suporte técnico

Em muitos casos, a ficha técnica do produto não é suficiente para orientar a escolha. Projetos em áreas classificadas frequentemente exigem interpretação técnica da aplicação, especialmente quando há variações de temperatura, exposição ambiental severa ou mistura de exigências entre EX e robustez mecânica.


Nessas situações, o suporte técnico do fabricante ou fornecedor é decisivo. Ele ajuda a evitar superespecificação, subespecificação e escolhas que, no papel, parecem corretas, mas não atendem à realidade do campo.


Conclusão

Escolher o equipamento EX certo não é apenas selecionar um produto certificado. É alinhar o equipamento à zona classificada, à substância presente, à temperatura de ignição e às condições reais da instalação. Essa leitura técnica é o que garante segurança, conformidade normativa e desempenho operacional.


Para empresas que atuam com áreas classificadas, a especificação correta deve ser tratada como uma etapa crítica do projeto — tão importante quanto a instalação e a manutenção.

 
 
 

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